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       Na liberdade para decidir, prender a alma à escolha de atender aos chamados de caprichos ao invés da retidão e, então, ver um pássaro escolher permanecer em sua gaiola, sua realidade fundamental à qual se segurar - ter asas não exploradas por inteiro, ao passo que nenhum lugar sequer seja explorado além da utilidade intermediária de uma gaiola... Pode ser o caso de que ao preferir viver pelas regras de nossas pequenas crenças nós não entendamos as particularidades das “asas” nem seu amplo alcance de aplicabilidade. Metaforicamente falando em voar, isto não se refere exatamente a uma meta final tanto quanto um meio de atingir perigosamente objetivos fundamentais. Morremos vagarosamente e fazemo-lo em nossa caminhada automática, nossos automóveis indispensáveis, nossos jogos virtuais alusivos que gritam para nós, gritam por nós e compreendem a ordem mecânica por nós. Aqui está a ironia. Quando um indivíduo frágil lida com um predador espantoso, aquele diz: “Agora, senhor, vou ter que quebrar o seu pescoço”. E em outra promessa rompida a diversão permanece proeminente: “Se me der licença, madame, aqui está o seu drink. Espero que não seja tarde demais para fazê-la feliz”.
Por favor, não me julgue tão crítico onde não julgo alguém por encontrar em mim uma personalização da chatice e onde meus achados não consistem em considerar os outros estúpidos. Não, sou atencioso o bastante com os outros para não pensar pensamentos desta magnitude ainda. Exceto é claro quando estou possuído pela intranquilidade de uma raiva, mas então esta é uma oportunidade de manter sob controle meu grande monstro de fúria, cujos julgamentos são mais fortes, não tão razoáveis e bem capazes de magoar. A tranquilidade pode encontrar resgate em um tipo muito específico de liberdade no fim, quando a tarefa laboriosa estiver consumada e o portador da missão estiver pronto para começar de novo. 
In the freedom to choose, to tie up the soul with the choice of answering the calls of whims over righteousness, and then to see a bird choose to stay in its cage, its ultimate reality to cling to; to have wings not fully explored, whereas not a single place is explored beyond the intermediary usefulness of a cage… It may be the case that by preferring to live by the rules of our little beliefs we do not understand particularities of wings nor their wide range of applicability. Metaphorically speaking about flying, it does not exactly refer to a final aim as much as it is a means of dangerously attaining fundamental goals. We die slowly and we do that in our automatic walk, our indispensable automobiles, our allusive virtual games that yell to us, yell for us and comprehend the mechanical order for us. Here is the irony. When a frail individual deals with a spooky predator, the first says, “Now, sir, I am going to have to break your neck”. And in another broken promise fun remains prominent: “If you excuse me, madam, here is your drink. Hope it is not too late to make you happy”.
Please do not judge me too judgemental where I do not judge one for finding in me the embodiment of boringness and where my findings do not consist in regarding others as stupid. No, I am considerate enough to others not to think thoughts of this magnitude yet. Except of course when I am possessed by the unrest of anger, but then this is an opportunity to hold in check my big monster of fury, whose judgements are stronger, not so reasonable and pretty much likely to hurt feelings. Tranquility may find rescue in a very specific kind of freedom in the end, when the laborious task is finished and the mission-bearer is ready to start over.

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